segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Sobre pontes e pensamentos.


Uma vez ouvi um engenheiro dizer que a ponte é uma das construções mais difíceis de serem concebidas e não dei ouvidos para isso. Desde pequena sempre admirei pontes, mas nunca soube construir nenhuma , nem desenhando, nem aquela das brincadeiras infantis e das aulas de Ballet e ficava frustrada. 




As minhas pontes eram sempre tortas e incompletas,  totalmente diferentes daquelas construções duras e imponentes que eu admirava. As minhas pontes eram reflexo do que eu era, torta e incompleta e do que eu não era, dura e imponente.



Lembro de pegar a barca para Paquetá e ficar maravilhada com aquela construção intangível.


 Eu gostaria de ao menos tocar a ponte, mas não era permitido. Talvez se eu pegasse algum barquinho, eu poderia chegar lá, mas os barquinhos eram frágeis e eu mais frágil ainda. E se viesse uma onda gigante e me fizesse afogar?  Eu queria mergulhar para tocar o fundo da ponte que eu não conseguia ver  e que quase ninguém poderia tocar e eu mergulhei profundamente. 


Sempre sento no lado que bate sol no ônibus, não adianta, sempre o sol tá lá na minha cara dizendo que eu sou uma otária por não percebê-lo a tempo de mudar o lugar e daí o ônibus já tá lotado. Peguei a ponte pela milésima vez, mas dessa vez  foi diferente porque há muito tempo não fazia a travessia e pensar que há 6 anos atrás tal travessia era diária. Contemplei a paisagem. 13 km de extensão e milhões de km de pensamentos. Vi  Paquetá à direita, o Fundão, vi também a Ilha Fiscal, observei o Gragoatá completamente diferente do que era  e eu mesma não sendo mais a mesma e sorri sozinha e ao mesmo tempo minha expressão ficou triste, avalanche de memórias.

O motorista estava em alta velocidade e estava beirando a ponte, bastava uma manobra errada para que caíssemos todos na baía, intensifiquei a sensação da possibilidade ouvindo “Aces High” deveria ouvir “Highway to hell”, mas a melodia do Maiden tocava mais a minha alma. Sorri perigosamente.  

Não tive medo da pergunta que ás vezes me assolava desde a infância: “ Se eu cair será que eu morro?”. 
De volta para Niterói, a ponte estava fechada por causa do mau tempo e pela primeira vez não desejei a queda pois compreendi antes que eu tinha medo mesmo de me salvar ao invés de morrer, de voltar a respirar o oxigênio que dá vida e sentido para caminhar, de pegar o fôlego,  de encarar as coisas intransponíveis, medo de aceitar que as pontes podem ser queimadas por mim e pelo o outro e que a ponte é tão grande e instável quanto eu. Mergulhar era a solução e o reforço do medo e eu recusei o convite.

E neste ano, enfim, descobri coragem e força e não temer as pontes e então pude sentir a vida mais do que a morte pulsando intensamente dentro de mim. 

"A ponte não é de concreto, não é de ferro
Não é de cimento
A ponte é até onde vai o meu pensamento...."

domingo, 11 de novembro de 2012

Cá estou eu novamente, depois de um longo período cinza-silêncio, depois de muito conversar com um velho amigo, voltar a atividade de escrever. Não sei o que escrever na próxima linha. O primeiro ponto é atravessar com palavras quaisquer o imenso branco do papel que quer ser escrito ou atravessar a grande massa cinzenta que não quer escrever?

O que consiste este blog? Falar de qualquer coisa que toque a alma. Música, pintura, literatura, panorama da paisagem interna ou externa, toda a sua luz e sombra, brilho e opacidade. Nada de gramática e técnica por aqui. Um exercício de liberdade através da escrita.

Através da cor fazer poesia e criar outras cores que sirvam para outros poetas.