Existe um poema tomando corpo
Sufocado pelo peso do meu corpo
Quente, inteiro, saindo do forno
Esperando para ser escrito morno
Existe um poema quase morto
Imprensado pelo peso do meu corpo
O poema nada diz e muito quer dizer
O poema representa a luta entre o vivo e o morto
O morto todo vivo em cada gesto do meu corpo
Mutilando meus desejos nada mornos
O corpo: Reflexo da alma ( vencida e invalidada).
E se o corpo sente, é porque a alma está desorganizada?
O corpo deseja dar corpo ao poema (essa narrativa diária)
Mas o corpo também deseja o fim do corpo
Entrave da livre expressão da alma
A alma não existe, mas é uma figura presente e atormentada
que mente que não sente e quer ser incorporada
À tudo que ela não pertence.
O corpo, prisão da alma, quer se ver morto
e não apresenta saída.
A alma encurralada fere o corpo
e chora sem ser ouvida.
A alma acaba então, em lágrimas, sendo revertida.
Como incorporar a alma ao corpo
Se um quer se ver morto e a outra quer se ver viva?
Como ressucitar o corpo, diariamente
Morto de antigas(?) batalhas perdidas?
A alma tateia fugas de um corpo sem serventia.
O corpo padece e busca despedidas.
O corpo e a alma, em permanente luta
disputam de quem vai ser a primazia.
A alma, essa coisa intangível, ri e se orgulha de sua astúcia e supremacia.
O corpo não pensa, apenas quer ser.
O corpo apenas camufla os bombardeios da alma, por isso morto.
A alma mal sabe de qual corpo é ou deseja ser e acaba matando todos.



